"There's a fear I keep so deep / Knew it name since before I could speak (...) If some night I don't come home / Please don't think I've left you alone"- Keep The Car Running, Arcade Fire

terça-feira, 10 de maio de 2016

Janet Malcolm e os outros jornalismos possíveis

O livro 41 Inícios Falsos, da jornalista norte-americana Janet Malcolm, não é para qualquer um.  Lançado no Brasil em fevereiro deste ano, através da coleção Jornalismo Literário – Companhia das Letras –, o volume apresenta textos que vão além de reportagens e críticas sobre personalidades ligadas ao mundo da arte, utilizando-se da erudição e da criatividade da autora para fazer com que os escritos revelem muito mais do que o trivial.

E numa época em que o jornalismo abraça a trivialidade ao mesmo tempo em que manda beijos apaixonados para o que é superficial, ler Janet equivale a medir forças com a ignorância que grassa não apenas pelo país, mas por todo o mundo. É tarefa difícil, quase impossível para um “brasileiro médio” como eu, captar suas variadas referências, acompanhar sua linha de pensamento e entender as nuances que permeiam seu trabalho. Ainda assim, desistir estava fora de cogitação.

Confesso que, apesar de ler com muita rapidez, fiquei quase três meses voltado ao livro em questão. Os textos da jornalista são, na verdade, ensaios. Eles estão sempre abertos a formatos e estranhezas literárias mil, no bom sentido. Janet consegue produzir textos curtos e certeiros, seja para descrever o método de trabalho do jornalista Joseph Mitchell ou defender a importância dos cinzeiros na obra do escritor J.D. Salinger; alonga-se também, com maestria, como no escrito que dá título ao livro ou na obra-prima A garota do Zeitgeist, um documento de quase cem páginas onde se cruzam fontes e pontos de vistas, resultando num texto interessantíssimo, a respeito da editora de uma famosa revista de arte vanguardista.

Fui chamado por uma amiga da cidade onde moro, Angra dos Reis, para falar sobre a minha profissão na escola onde ela leciona. Será um tipo de feira estudantil voltada à questão profissional.  Vou falar sobre como entrei na área, os prós e os contras, o mercado de trabalho e os pré-requisitos que ajudam na escolha do jornalismo como meio de sobrevivência. Além disso, faço questão de inserir um novo tópico na minha explanação: outros jornalismos possíveis.





Por Hugo Oliveira

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